Livre x Proprietário, uma visão ‘quase’ imparcial

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Apesar de ter Linux como meu principal sistema operacional e optar sempre que possível pelo uso de ferramentas livres, não é para mim incomum o uso de ferramentas proprietárias e até mesmo do Windows. Posso dizer que circulo entre os dois mundos até porque cada mudança que faço no WinForms do Mono precisa ser testada em Linux e Windows.

Participo de listas de discussão tanto relacionadas a SL (software livre) quanto relacionadas a tecnologias proprietárias, não é incomum ver discussões acaloradas, debates sem fim e uma certa rixa entre os defensores do SL e os defensores do mundo proprietário. Os blogues e páginas de comunidades não ficam atras e pessoas como eu que participam dos dois mundos vêm a coisa toda como uma grande perda de tempo, há muito que já não acompanho mais os comentários nos meus blogues preferidos exceto por raras exceções de notícias que estejam diretamente ligadas ao meu trabalho.

Pois bem, ontem eu estava acompanhando algumas mensagens do dotNUG, um grupo de desenvolvedores focados na plataforma .NET, grupo esse do qual também faço parte e não pude deixar de me surpreender quando as mensagem tomaram o rumo da crítica ao “pessoal do software livre”. Fiquei surpreso porque em geral não vejo o pessoal do mundo proprietário gastar tanta energia com críticas, me deixou também surpreso o fato de nunca ter visto qualquer tipo de discussão nesse sentido dentro do grupo, e por fim, porque eu também faço parte do chamado “pessoal do software livre”.

Não vou descrever aqui as críticas que foram feitas, ao invés disso, vou resumir aqui as principais queixas que tenho visto do “pessoal do proprietário” para com o “pessoal do livre”:

  • A defesa equivocada da liberdade, você é livre para usar o que eu estou dizendo que deve usar.
  • O tratamento dado à tecnologia como se fosse religião, em geral o termo xiita é usado, algumas vezes comparações com os árabes são feitas.
  • O ataque a tudo que vem da Microsoft e a todos os que usam ferramentas proprietárias
  • O posicionamento ambíguo, atacando a quem usa software proprietário mas ao mesmo tempo defendendo o uso do Flash e até mesmo do Java quando não era livre.
  • Os ataques pessoais e a falta de respeito.
  • Julgamento equivocado de que tudo que é “Software Livre” é melhor.

Do outro lado o “pessoal do livre” também tem suas queixas sobre o “pessoal do proprietário” e as que mais tenho visto são:

  • Querem usar ferramentas proprietárias mas não querem pagar, usam cópias piratas.
  • Dizem que é difícil usar Linux mas nunca usaram então como podem saber.
  • As universidades deveriam ensinar a liberdade e não nos prender a padrões proprietários e incentivar a pirataria que é um crime.
  • Para que usar a ferramenta X se temos a ferramenta Y que é livre e faz o mesmo e ainda é mais rápida e segura.
  • Incentivo ao uso de padrões fechados que na verdade são armadilhas para escravizar o conhecimento e manter o controle sobre um nicho de mercado.

Ambas as listas são muito maiores mas citei apenas algumas das queixas mais comuns. E o que os dois lados têm em comum? Na minha visão, eles tem em comum duas coisas:

  • Ambos estão certos na maioria das suas afirmações e queixas e;
  • Ambos estão analisando apenas os defeitos do outro grupo/lado.

Nem o grupo do ‘software proprietário” é formado apenas por piratas aproveitadores sem escrúpulos nem o mundo do “software livre” é formado por radicais que querem doutriná-los a todo custo. O que realmente acontece é que o pessoal que faz “mais barulho” é também o pessoal mais radical.

Essa briga toda não é diferente da briga entre desenvolvedores e DBAs, os desenvolvedores tratam todos os DBAs como se fossem inexperientes e incompetentes, e os DBAs para não ficar atrás fazem o mesmo com os desenvolvedores, gerando as discussões intermináveis que todos nós algum dia já acompanhamos. É o nivelamento por baixo, analisamos o pior e os piores do outro grupo e expomos seus defeitos, e o outro grupo por sua vez faz o mesmo.

Por fim, apenas para finalizar, cito ainda como exemplo o caso da propaganda negativa que sempre gera mais repercussão que a positiva.